Amazônia: A cobiça sobre nosso Eldorado

Essa semana a Metamorfose Comunicação inicia mais uma série especial, prevista para ser composta de cinco artes e cinco matérias especiais, com o tema Amazônia: A cobiça sobre nosso eldorado.

Os textos estão divididos com as seguintes temáticas: Introdução ao nosso eldorado, questão indígena e a privatização da mata, aquecimento global e a ganância capitalista, RENCA e o plano de Temer de vender a Amazônia.

A lenda que permeou os sonhos dos colonizadores e exploradores da América trata de uma cidade toda feita de ouro maciço e cheia de tesouros, o El dorado. O mito é semelhante ao de Paititi ou Candire, que também seria uma cidade, localizada entre as selvas da Bolívia, Peru ou Brasil, cheia de riquezas que teria servido de refúgio a incas que escaparam da conquista espanhola.

O Eldorado, porém, nunca foi localizado, uns diziam estar onde atualmente é o Deserto de Sonora no México e outros acreditavam ser na região das nascentes do Rio Amazonas, ou em algum ponto da América Central ou do Planalto das Guianas.

Embora muitas das riquezas, incluído o ouro, tenha sido sugado dos países do Novo Mundo pelos colonizadores, o nosso verdadeiro Eldorado pode não ser feito propriamente de um metal precioso, mas, verde. Ou melhor, multicolorido.

Com 5.500.000 km² de extensão, a Floresta Amazônica é considerada a maior Floresta Tropical do Mundo e possui uma grande biodiversidade. Situada na região norte do Brasil nos estados do Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Pará e Roraima; e em menores proporções no Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, a floresta possuí clima equatorial, sendo marcada por elevadas temperaturas e grande quantidade de chuvas.

Nela estão situados rios importantes como o Rio Amazonas, Rio Negro, Rio Solimões, Rio Purus, Rio Juruá, Rio Japurá, Rio Madeira, Rio Tapajós e Rio Branco.

Com tanta riqueza natural que compõe sua flora e fauna, a Amazônia pode ser considerada nosso Eldorado. Além de uma fonte ainda a ser explorada de plantas medicinais, existem frutas e peixes, por exemplo, que só podem ser encontrados na região.  O chef, autor de livros e apresentador de Tv americano, Anthony Bourdain, em seu programa No reservations, esteve na Amazônia e destacou a região como o Eldorado das possibilidades gastronômicas devido a essa grande quantidade de alimentos fornecidos pela floresta, e que se diferem em sabor de outros encontrados em todo mundo.

Não é só isso. A Amazônia contribui para o equilíbrio ambiental do Brasil e do mundo, principalmente nesse momento, onde as mudanças climáticas, resultam em uma série de respostas da natureza através de fenômenos devastadores, como o caso do furacão Irma.

Porém a mesma cobiça, que cegou homens em busca de ouro, durante a colonização do Novo Mundo, segue impiedosa sobre a floresta e os resistentes índios que continuam a ser chacinados por grileiros. E da colonização, passando pela luta de Chico Mendes aos dias atuais, a questão da Amazônia segue distante das discussões de grande parte do povo brasileiro, renegada por políticos omissos ou corruptos, e tomada dos interesses tortuosos internacionais e dos poderosos integrantes do agronegócio.

Agora, um outro metal, o cobre, entra na peleja. O governo Temer, emitiu decreto que regulamenta a exploração deste metal na Amazônia, no que era uma área de 46.450 km² de preservação na divisa entre Pará e Amapá, conhecida como Renca (Reserva Nacional de Cobre e seus Associados).