Desmatamento da Amazônia influencia o aquecimento global

No dia 23 de agosto, o presidente Michel Temer anunciou um decreto que extinguiu a Reserva Nacional do Cobre e Associados (Renca), uma área de 4,7 milhões de hectares na Amazônia, privatizando uma importante área de preservação com biodiversidade. Além disso o governo brasileiro dá indicações que pretende voltar a construir hidrelétricas com grandes reservatórios, conforme anúncio feito em setembro de 2016 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), já foram desmatados 700.000 km2 de mata amazônica. Ao todo, a Floresta Amazônica tem 5.500.000 km² de extensão.

O professor titular da Universidade Federal do Ceará e membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS), Luiz Drude de Lacerda, afirma que não importa o tamanho do desmatamento, o prejuízo será grande e as causas impactam no mundo todo conforme explicam os dados da ONG ambiental Global Canopy Programme (GCP). Segundo a organização, a derrubada e queimada em larga escala das florestas tropicais é responsável por até 25% das emissões globais dos gases retentores de calor.

  Foto Arquivo Pessoal: professor titular da Universidade Federal do Ceará e membro da Academia Mundial de Ciências (TWAS), Luiz Drude de Lacerda

Nunca se sentiu tantas variações climáticas como nos últimos anos. O desmatamento proporciona o aumento do calor e pode acarretar um colapso no meio ambiente. Um estudo feito pelo Programa de Investigação da Mudança Global dos Estados Unidos, que reúne cientistas da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), da National Aeronautics and Space Administration (Nasa) e de mais 11 agências federais americanas, afirmam que a atividade humana contribui para o aumento da temperatura global.

As ondas de calor têm um grande impacto na saúde humana. Até regiões de temperaturas amenas têm sofrido com isso. No verão europeu, por exemplo, tem se verificado uma intensa onda de calor, provocando mortes de idosos e crianças.

Furacões estão cada vez mais devastadores, o que se confirma através das medidas do potencial de destruição, calculadas a partir de sua força, que mostram uma duplicação desse potencial nas últimas décadas. E não só os furacões no Atlântico estão se intensificando, mas os tufões do Oceano Pacífico também estão atingindo a Ásia de maneira mais feroz.

Exemplo mais claro é o caso do Furacão Irma que devastou as regiões de Barbuda, São Bartolomeu, São Martinho e Anguilla, Ilhas Virgens americanas, Porto Rico, República Dominicana e Haiti e na Flórida, deixando 60 mortos. Os níveis do mar também estão subindo, porque com os oceanos mais quentes, água do mar se expande.

O professor Drude faz um alerta sobre o que estamos presenciando e explica que as variações climáticas estão fadadas a se intensificar e gerar proporções cada vez mais devastadoras e frequentes. “A seca será mais longa, as chuvas mais intensas e os furacões mais ferozes. Um planeta mais quente desequilibra o ultrassensível sistema climático da Terra. ”

Há algumas soluções para diminuir os estragos causados ao meio ambiente. Infelizmente, quanto mais tempo o homem demorar para implantar as soluções, pior será o futuro. O Greenpeace, organização global e independente que atua para defender o meio ambiente, orienta que os governos deixem de lado o carvão e o petróleo e invistam em fontes renováveis de energia, conservem suas florestas, repensem práticas agropecuárias, invistam em mobilidade e protejam seus oceanos. O sol, o vento, os oceanos e a biomassa são as fontes mais promissoras de energia hoje.

Ao que se refere a Amazônia, há várias formas de sustentabilidade sem que haja a necessidade de agredir a floresta. “São atividades exitosas de silvicultura, extrativismo. Coisas extremamente viáveis e sem nenhum tipo de problema como a pecuária, cacau, café… são tantas as possibilidades mas só focam na monocultura agrícola para a exportação, assim como o desmatamento para exploração de madeira. Esse tipo de exploração não dá sustentabilidade,” exemplifica o professor Drude.