Entidades sindicais amargam a Reforma Trabalhista e tomam decisões precipitadas como a demissão de funcionários

Os debates estão se repetindo no grupo de jornalistas sindicais que participo, neles profissionais do Brasil inteiro, demonstram suas angústias em relação ao futuro do movimento sindical. Estamos “quebrando a cabeça” atrás de soluções. Atitude normal para quem há muito rompeu as barreiras do “imparcial seletivo” e entrou de peito aberto na escolha de exercer a profissão defendendo um lado: o dos trabalhadores.

O que não me parece normal, ou não deveria ser, são os relatos da reação de dirigentes sindicais aos danos da “deformada” Reforma Trabalhista. Destaca-se o sentimento de inércia, a espera “sem futuro” por uma medida provisória dada pelo governo golpista, as ideias de cobrança por serviços e, no melhor do espírito capitalista, a demissão de funcionários.

Mas para capitalista, o dirigente sindical não tem o melhor talento. Abrir mão de uma equipe de comunicação e manter gastos supérfluos da entidade, é nadar contra a máxima de que “propaganda é a alma do negócio”.

Na verdade, é um contrassenso até para os revolucionários. Foi na época de um cara barbudinho de nome Karl Marx, que se percebeu, em primeira mão, que para disputar o discurso hegemônico, os que desejavam mudar a sociedade precisavam escrever e distribuir jornais. Ele próprio, escreveu em vários. Na sua época, não eram incomuns os jornais que “batiam de frente” com os ideais capitalistas. Depois dele, ainda vieram muitos.

Nós, sabíamos disso. Mas, esquecemos. Deve ser por essa causa que, não “tem bem” umas duas semanas, ouvi que um colega de outro estado havia sido demitido para se transformar em pessoa jurídica. É assustador pensar que um dirigente sindical, esse mesmo que sempre disse que estava lá para lutar pelo povo, tenha decidido aplicar, desde já, a reforma trabalhista em sua entidade.

Nessa semana, outro baque, uma grande profissional, com anos dedicados, uma das mais ativas na busca por soluções, comunicou seu desligamento da entidade que atuava, causando entre nós profunda indignação.

Estamos lutando com todas as forças. Não há entre nós, profissional que já não tenha desenvolvido um plano, proposto um debate e arregaçado as mangas, e em alguns casos, ultrapassando até o limite dos que nos pedem. Estamos gritando as soluções e são poucos os que nos querem ouvir.

Entre esses profissionais, parece ser consenso que é preciso um conjunto de ações e muita paciência. Repetimos o conhecimento adquirido por anos de experiência. É preciso formar para sabe o que somos e para onde vamos. É preciso coragem para se reformular sem esquecer do que nos sustenta ideologicamente. É preciso assessoria jurídica para detonar a lei na prática. É preciso comunicação para disputar e informar e ação política para sindicalizar e ter força para manter e crescer as Convenções Coletivas de Trabalho e Acordos Coletivos de Trabalho.

Sem formação, o dirigente não entende a problemática que envolve as relações de trabalho impregnadas de trabalhadores precários, as crises inventadas pelo capital, a necessidade de derrubar o fascismo que cresce mundialmente e o motivo para a existência de um sindicato.

Sem assessoria jurídica, não conseguimos enfrentar, dentro dessa falsa democracia do estado burguês, os pormenores criados pela nova legislação.

Sem comunicação, não convencemos o trabalhador dos perigos que enfrentam e os consentíamos a se sindicalizar.

Sem sindicalizar, não temos como manter as entidades e não temos força para lutar contra os ataques.

Mas, o sentimento de “terra arrasada” permanece. Sentimento que os patrões festejam e ajudam a proliferar. Fica fácil, do que deveria, para eles nos tornar presas  tirar direitos dos trabalhadores. Não é hora disso! Não se pode esperar boa vontade do atual governo. Não se pode deixar para amanhã a campanha que deve ser feita hoje. Não se pode desistir deixando o povo na mão.

É hora de lutar! O mundo não acabou (ainda).

E só parar para reflexão: A Consolidação das Leis de Trabalho (CLT) foi obra de Getúlio Vargas. Não é de hoje, o debate de que ela foi criada para “amarrar” o livre sindicalismo brasileiro, que “causava azia” nos capitalistas.

Nada do que está lá foi dado de bom grado, foram concessões para uma conciliação de classes. Aprendemos a viver com elas, nos adaptamos e festejamos as partes boas que facilitaram a vida do trabalhador brasileiro. Mas já existíamos antes.

E por termos adaptado, fica difícil conceber a estrutura sindical de outra forma. Principalmente com a criação de novas amarras que pioram as partes que um dia festejamos.

Porém, difícil não é impossível. Aonde ainda exista um único trabalhador oprimido, o movimento sindical ainda tem razões para respirar. Ainda cabe a tarefa de enfrentar o estado burguês. Agora, mais do que ontem.

Não tem “terra arrasada”, o que tem é o desafio de enfrentar o Estado e o capital. E nós sabemos fazer isso melhor do que ninguém. É a essência do movimento sindical. Nosso motivo de existir.

Já estamos colecionando histórias de sucesso. Recebo notícias de uma companheira de Minas, celebrando a sindicalização em seis meses, do que antes estava previsto para 18!

De Sampa, o companheiro Val Gomes, jornalista da Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNTM), manda o recado “Neste período de crise e ataques aos direitos dos trabalhadores e aos sindicatos, é fundamental investir em comunicação sindical (…)as entidades se fortalecem com a comunicação”. A confederação também convoca a unidade de luta contra as reformas.

Os gráficos de Pernambuco anunciam que “entram na campanha para revogar a reforma trabalhista”.

A Federação dos Comerciários de São Paulo, em seu congresso, delibera “sindicalizar é palavra de ordem. É nossa obrigação estratégica ampliar o número de sócios estimulando em cada um deles uma participação mais efetiva no dia a dia do sindicato”.

No Ceará, a Federação dos Trabalhadores em Comércio e Serviços criou, paralela a Campanha de Sindicalização Unificada, uma campanha especifica para mulheres “Azamiga se sindicaliza: Lugar de Mulher é no Sindicato!” e está com sua assessoria jurídica trabalhando “com gás total”.  Além disto, minha equipe orgulhosa, acompanha um conjunto de entidades parceiras, que mesmo pequenas, decidiram investir tudo em comunicação para sindicalização, e estão em campo colhendo os primeiros louros da experiência. Nada mais prazeroso que trazer os trabalhadores para a luta e de quebra sentir no corpo o peso de um dia de trabalho no “chão de fábrica”.

Fica então o nosso mais precioso conselho. Agarrem-se aos seus jornalistas e advogados e não abram mão do trabalho do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) e do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP). Esses são os melhores amigos que um dirigente sindical pode ter.