Jornalista da BBC em Pequim pede demissão devido a desigualdade salarial entre homens e mulheres

Carrie Gracie - Foto: Facebook

A jornalista e editora da BBC, empresa de rádio e televisão do Reino Unido em Pequim, Carrie Grace anunciou sua saída do cargo, após ser denunciado a discrepância salarial entre homens e mulheres que ocupam as mesmas funções dentro da emissora.

Foi oferecido a Grace um aumento de 33%, mas a jornalista não aceitou argumentando de que busca a igualdade salarial e não um aumento de salário, declarou ao jornal The Guardian.

A luta começou quando em julho de 2017, a BBC teve que revelar os salários de todos os empregados que ganham mais de 150 mil libras por ano. Entre os editores que ocupavam a mesma função que Carrie estavam o editor de Estados Unidos, Jon Sopel, que ganha entre 200 mil e 249,9 mil libras por ano e o editor de Oriente Médio, Jeremy Bowen, ganha entre 150 mil e 199,9 mil libras por ano.

Além de Carrie, a editora de Europa, Katya Adler também recebe menos que seus colegas homens.

O seu nome não apareceu na lista, pois Carrie revelou que recebe 92 mil libras por ano como editora na China.

A carta pedindo igualdade de salários foi publicada no jornal The Telegraph e foi assinada tanto por Gracie, quanto pela editora de Europa, Katya Adler.

Carrie anunciou que deve continuar na BBC e deseja retornar para sua antiga função na BBC TV.

A BBC divulgou um relatório em 2017 que revela que existe uma diferença salarial de gênero de 10,7% na remuneração por hora entre homens e mulheres para trabalhadores em função igual.

Veja Trechos da carta de Carrie Grace:

“O Ato pela Igualdade de 2010 (uma lei contra discriminação britânica) diz que homens e mulheres que exercem a mesma função devem receber o mesmo por ela. Mas, em julho passado, eu descobri que, no último ano financeiro, dois homens ganharam 50% a mais do que duas mulheres”.

“Apesar da insistência pública da BBC de que minha nomeação (para o cargo de editora internacional) demonstrou seu compromisso com a igualdade de gênero e, apesar da minha própria insistência de que a igualdade fosse uma condição para assumir o cargo, meus chefes avaliaram novamente que o trabalho feminino valia muito menos do que o dos homens”.

“Acho que já sou muito bem paga, especialmente como alguém que trabalha para uma organização financiada por recursos públicos. Mas quero simplesmente que a BBC respeite a lei e valorize homens e mulheres igualmente.”

Assista o segundo #DaRedação em que abordamos o assunto: