
Sindicatos e MPT realizam visita guiada pela Estação das Artes
Abril 22, 2026
MTE divulga novo sistema do Programa de Alimentação do Trabalhador
Maio 20, 2026Jornalista alerta para o uso acrítico da Inteligência Artificial por sindicatos, defende soberania digital e cobra criação de órgão específico para proteger os dados dos brasileiros
Nesta quarta-feira (06), a jornalista sindical e editora-chefe da Metamorfose Comunicação, Marina Valente, participou do SindDebate, programa apresentado por Ulisses Moreira, do Mova-se – Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Estadual do Ceará.
O tema do debate foi Inteligência Artificial: sindicatos e os perigos e desafios na guerra cibernética. Valente abriu a conversa citando Aristóteles e o conceito de política como elemento constitutivo do ser humano, introduzindo a ideia de disputa como categoria central. Nessa perspectiva, as novas tecnologias não podem ser pensadas fora desse contexto: a própria internet nasceu no interior de projetos militares, e a Inteligência Artificial emerge num cenário de crescente desumanização. O que está em jogo na comunicação, segundo ela, é uma disputa global — se antes a tecnologia era ferramenta do capital, hoje ela é o próprio capital, integrada a interesses militares e geopolíticos.
Como exemplos, Valente citou o uso da IA no conflito envolvendo o Irã e no sequestro de Maduro, além de destacar a postura da Anthropic, que recusou determinadas solicitações do governo Trump — em contraste com o ChatGPT, que assinou acordos com a administração americana.
A jornalista fez um alerta preocupante: há sindicatos que estão entregando sua ação política ao ChatGPT, delegando à ferramenta a elaboração de discursos, peças jurídicas e até a própria comunicação institucional — com algumas entidades chegando ao ponto de dispensar seus jornalistas. Para Valente, essa postura representa uma grave abdicação da autonomia política e identitária do movimento sindical.
Ulisses Moreira pontuou que a Inteligência Artificial tende a aprofundar processos de inclusão e exclusão, criando novos e complexos desafios para o mundo do trabalho.
Valente reforçou que essas tecnologias, aliadas à lógica da uberização, empurram os trabalhadores para uma disputa por centavos. Ela também abordou a desvalorização da CLT e o adoecimento do mercado de trabalho, reafirmando o papel dos sindicatos na conscientização da classe trabalhadora para que ela não se torne vulnerável a narrativas falsas. Para a jornalista, é urgente romper com o comodismo.
Outro ponto central do debate foi a necessidade de soberania digital para o Brasil. Valente defendeu a criação de um órgão específico para tratar do tema e foi enfática: os dados do povo brasileiro não podem estar nas mãos de empresas ou governos estrangeiros. Trata-se, segundo ela, de uma questão de segurança nacional e de autodeterminação do país no cenário geopolítico global.
Ao encerrar sua participação, Marina Valente saudou e agradeceu ao sindicato Mova-se pela iniciativa do programa, ao diretor e apresentador Ulisses Moreira, à jornalista Wanessa Canutto e ao técnico Ismael, destacando a importância do espaço para o debate qualificado dentro do movimento sindical.
Esses foram alguns dos muitos pontos abordados ao longo da conversa. Assista à entrevista completa e confira tudo o que foi discutido:
▶️ https://www.youtube.com/live/R83BY7rKGDI
Share this content:




