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Junho 17, 2026O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Inspeção do Trabalho, resgatou 35 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão durante operação realizada no último dia 8 de junho, em uma fazenda produtora de algodão localizada na zona rural de Campo Novo do Parecis (MT). A ação contou com o apoio da Polícia Federal (PF).
Os trabalhadores tinham vindo de cidades do interior de Minas Gerais, eles haviam sido recrutados para atuar no controle manual de plantas daninhas na lavoura de algodão. Durante a fiscalização, foram identificados um conjunto de graves irregularidades que configuravam condições degradantes de trabalho e de alojamento, além de elementos que restringiam a liberdade de locomoção dos empregados.
Os auditores-fiscais do Trabalho verificaram que os trabalhadores estavam alojados em contêineres superlotados, com dimensões aproximadas de 2,40 metros por 6 metros, nos quais chegavam a ser acomodadas até nove pessoas simultaneamente, comprometendo as condições mínimas de conforto, descanso e privacidade.
Exposição a agrotóxicos
A fiscalização do MTE também constatou grave exposição dos trabalhadores a agrotóxicos. Segundo relatos colhidos durante a operação, aeronaves realizavam pulverizações nas áreas de cultivo enquanto os empregados permaneciam em atividade na lavoura. Houve, ainda, denúncias de aplicações realizadas nas proximidades dos alojamentos. Diversos trabalhadores relataram sintomas compatíveis com intoxicação aguda, como náuseas, falta de ar, irritação e queimaduras na pele.
Situação sanitária
Nas proximidades dos alojamentos, havia intensa proliferação de moscas e forte odor provocado pelo acúmulo de matéria orgânica em decomposição. Os banheiros apresentavam problemas de higiene e conservação, e o sistema de aquecimento de água era insuficiente para atender a todos os trabalhadores. Também não havia estrutura adequada para a higienização das roupas utilizadas no trabalho, especialmente aquelas potencialmente contaminadas por produtos químicos.
Na lavoura, foi constatado pela fiscalização a falta de instalações sanitárias adequadas, privando os trabalhadores do acesso a condições mínimas de higiene e conforto durante a jornada laboral. Também foram verificadas a ausência de água corrente, sabão, papel higiênico e demais estruturas indispensáveis à proteção da saúde e da dignidade dos empregados.
Sem local para refeição
De acordo com o MTE, as refeições também eram realizadas em condições inadequadas. O almoço era consumido diretamente na lavoura, sem refeitório, mesas ou assentos. Os trabalhadores se alimentavam sentados no chão, utilizando apenas a sombra do ônibus que os transportava até a frente de trabalho como proteção contra o sol.
Água para consumo
A fiscalização constatou ainda que a água para o consumo era fornecida sem copos individuais ou descartáveis. Segundo os relatos, os trabalhadores eram obrigados a beber diretamente do gargalo de recipientes de uso coletivo, prática incompatível com as normas de saúde e higiene e que favorece a disseminação de doenças.
Os Alojamentos
Os contêineres estavam instalados em um espaço cercado por grades e arame farpado, submetido à vigilância permanente. A disposição dos alojamentos e os demais elementos observados durante a ação fiscal foram levados em consideração na análise das restrições à liberdade de locomoção dos trabalhadores.
Diante dos fatos apurados, a Auditoria Fiscal do Trabalho formalizou o resgate dos 35 trabalhadores e garantiu o acesso às medidas de proteção previstas na legislação brasileira, incluindo o pagamento das verbas trabalhistas devidas e a emissão das guias para habilitação ao seguro-desemprego especial destinado a trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão.
No Ceará
O trabalho análogo à escravidão segue como uma realidade no Ceará e no Brasil, exigindo atuação contínua do poder público e das instituições de justiça. Dados oficiais indicam que, entre 1995 e 2024, 744 pessoas foram libertadas de situações de trabalho escravo no Ceará, o equivalente a 1,1% do total nacional.
Casos recentes reforçam esse cenário: entre 26 de outubro e 5 de novembro de 2025, uma operação do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 20 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em regiões do Cariri e do sertão do Ceará, Piauí e Pernambuco. Entre as vítimas havia, inclusive, um adolescente de 15 anos.
COM INFORMAÇÕES DO MTE E ADPEC
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