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Novembro 6, 2026Arienderson Melo destaca avanço do mercado de trabalho e alerta para informalidade e desigualdades regionais; taxa ficou em 5,2% no terceiro trimestre
A redução do desemprego no Brasil representa uma conquista importante, mas precisa ser acompanhada de avanços na qualidade das ocupações e na proteção dos trabalhadores. Essa é a avaliação de Arienderson Melo, técnico economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), sobre a taxa de desocupação de 5,2% registrada no terceiro trimestre de 2026.
“Sobre a taxa de desemprego, o Brasil registrou uma importante conquista no mercado de trabalho”, afirma o economista. Para ele, o resultado expressa o dinamismo da atividade econômica, embora a informalidade e as diferenças entre regiões continuem exigindo atenção.
Divulgados em 30 de outubro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua mostram a menor taxa para um terceiro trimestre desde o início da série histórica, em 2012. O indicador estava em 5,4% no segundo trimestre de 2026 e em 5,6% no mesmo período de 2025.
Na avaliação de Melo, a geração de ocupações formais e informais contribui para o resultado, com destaque para atividades como serviços, comércio e construção civil. Na construção, o IBGE registrou crescimento de 2,8% da ocupação em relação ao trimestre anterior, equivalente a mais 210 mil pessoas trabalhando.
Informalidade mantém milhões sem proteção trabalhista
O economista ressalta que a análise não pode se limitar à quantidade de pessoas ocupadas. É necessário observar as condições de contratação e o acesso aos direitos.
“No entanto, os pontos de atenção precisam ser considerados, como a qualidade dos empregos”, afirma. Melo chama a atenção para ocupações sem carteira assinada e sem as garantias associadas ao vínculo formal de emprego.
Os números ajudam a dimensionar esse desafio. A informalidade atingiu 37,5% da população ocupada, abrangendo 38,8 milhões de trabalhadores. No trimestre anterior, eram 37,4%, ou 38,6 milhões. Na comparação com o terceiro trimestre de 2025, a taxa recuou de 37,8% para 37,5%, embora o contingente tenha passado de 38,7 milhões para 38,8 milhões.
A presença de milhões de pessoas na informalidade reforça a importância de associar a expansão das oportunidades à formalização, à proteção previdenciária e à garantia de direitos trabalhistas.
Desigualdades regionais e rendimento
Outro ponto destacado por Arienderson Melo é a distribuição desigual dos avanços. Segundo o técnico do DIEESE, a melhora do mercado de trabalho não ocorre de maneira uniforme no território nacional, e regiões como Norte e Nordeste ainda enfrentam dificuldades mais acentuadas.
O rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.790, com estabilidade na comparação trimestral e crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período de 2025. Já a subutilização da força de trabalho alcançou 14,8 milhões de pessoas, reunindo desocupados, trabalhadores com horas insuficientes e pessoas que integram a força de trabalho potencial.
A avaliação do economista aponta, portanto, para dois desafios que caminham juntos: ampliar as oportunidades e assegurar que o trabalho ofereça renda, direitos e condições dignas. Para o movimento sindical, acompanhar essa evolução também significa disputar a qualidade dos empregos e enfrentar as desigualdades que persistem mesmo em um cenário de redução da desocupação.
Produção jornalística: Metamorfose Comunicação
Com declaração de Arienderson Melo, técnico economista do DIEESE, e informações da Agência Brasil e do IBGE.
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